Tudo é design, design é tudo

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O ser humano é uma ilha cercada de design por todos os lados. Dormimos sobre camas e travesseiros projetados por designers. No café da manhã, mais uma dose diária de design, desde o formato da chaleira, que ferve a água para o café (e é projetada para apitar quando ferve); às embalagens e rótulos dos produtos que levamos à mesa. Na toalha de mesa, jogos americanos e louça, é claro; nas roupas que usamos, nos acessórios. Se olhamos a hora no relógio de pulso ou de parede encontramos designs completamente diferentes para com um mesmo objetivo. Se pegamos nosso celular temos o design de produto e, ao interagir com o sistema, design de interface. Se vamos para o trabalho de carro, metrô ou bicicleta somos transportados pelo design. Se lemos o jornal ou um livro no caminho, design editorial. Se essa leitura é feita em seu celular, webdesign. Não tem como fugir. Tudo é design.

Embora seja reconhecido como profissão muito recentemente, o trabalho do designer talvez seja a profissão mais antiga do mundo. Sim, mais antiga do que aquela que leva tradicionalmente esse título. Transformar uma pedra em uma ponta de lança, folhas e fibras em roupas, madeira e lama em abrigos não é um exercício de design? Dar novos sentidos às matérias-primas e aos objetos, solucionar problemas do ser humano transformando a forma dos materiais é a base do design. A roda é o melhor design já desenvolvido. A partir disso, milhões de objetos foram projetados para facilitar a vida do homem, transformando nossas vidas através do design.

Passa despercebido, mas são nos mais cotidianos e simples objetos que encontramos as mais incríveis soluções de design desenvolvidas pelo homem. O cadarço, o guarda-chuva, o óculos, a tesoura e o papel higiênico são alguns exemplos. O design é cumulativo, usa a inteligência desenvolvida diante de uma necessidade para aprimorar outros materiais e resolver outras necessidades. Não se trata de fazer o objeto mais bonito, mas sim de aliar a beleza à funcionalidade, tentar melhorar a experiência de quem vai utilizar o objeto, seja este uma revista, um abridor de garrafas, um carro ou um estádio de futebol. É aprimorar atributos como eficiência, conforto, ergonomia, aerodinâmica, visibilidade, durabilidade, legibilidade e, é claro, beleza.

A escrita, por exemplo, é um projeto de design grandioso e contínuo, que nasceu da necessidade de fazer a comunicação e a documentação da humanidade. Dezenas de formas e possibilidades foram testadas e aprimoradas em diversas culturas ao longo da história para permitir o registro de informações e a transmissão de notícias e ideias. Antes dela havia a linguagem iconográfica: os povos registravam suas experiências através de símbolos e pictogramas. E qual é a linguagem mais usada hoje em aplicativos que permeiam todo o nosso dia? Estamos voltando à era da iconografia, tornando mais objetiva e direta a nossa comunicação através do design. Para que escrever ‘Configurações’ quando uma engrenagem resolve?. A mesma engrenagem vai se comunicar com o usuário da China, da África do Sul ou da Noruega.

Design gráfico ou artes gráficas

No nosso campo de trabalho, o design é um dos pilares da produção, junto com a produção de conteúdo (texto, imagem, vídeo), a edição, a programação e a produção gráfica. Essa nomenclatura é recente e ganhou força a partir da virada dos anos 90 para 2000. As então chamadas artes gráficas foram americanizadas e viramos todos designers gráficos. Mas a mudança constante das plataformas e linguagens também ampliou o campo de atuação destes artistas. Antes era comum que um artista gráfico se dedicasse basicamente a uma área do design, como a diagramação, a publicidade ou a ilustração. Um profissional poderia viver uma vida trabalhando exclusivamente em uma dessas áreas.

Com a multiplicação das plataformas e meios de comunicação, assim como a democratização de sistemas que permitem ao designer atuar nas mais diversas áreas, deixamos de ser especialistas para nos tornarmos generalistas do design. Criação de logos, design para sites, pintura de frota, diagramação de informativos e sinalização para eventos podem fazer parte da mesma semana de trabalho de um designer comum nos dias de hoje.

Com isso, a profissão se tornou ainda mais rica e difícil. É preciso o domínio de muitas ferramentas para dar conta de demandas tão variadas. A informação e a cultura geral do designer também são fundamentais para que ele desenvolva um trabalho de qualidade. A busca por atualização conceitual e tecnológica é diária. Uma busca que traz satisfação e amplia os horizontes. É nesse cenário que buscamos dar nossa contribuição ao universo de design que nos cerca. Afinal, design é tudo!

 

 

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